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“Nós contra Eles” – O Governo pede paz, seus aliados declaram guerra!

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Desde que a crise política realmente se agravou o governo tem tentado adotar o discurso de diálogo, calma e tolerância. Não é difícil encontramos na internet ou mesmo nos noticiários a Presidente Dilma ou alguns dos seus ministros mais próximos fazendo declarações de que é o momento de se manter a tranquilidade e tolerância. Um termo que está surgindo com força nos últimos dias é “intolerância política”, ao abordar comportamentos que realmente fogem do civilizado e democrático, mas de quem é a “culpa”? Ou quem é que realmente está colocando mais lenha na fogueira?

 

Com a divulgação das gravações telefônicas feitas com autorização da justiça, muitas pessoas acusaram o Juiz Sérgio Moro de atiçar esse acirramento social. O Ministro Marco Aurélio, afirmou que tais atitudes colocaram mais lenha num fogo que já estava alto demais, o advogado do Ex Presidente Lula disse que o ato do Juiz Federal estimulou uma “convulsão social”.

 

O que me chama a atenção é o fato de algumas pessoas acusarem o Juiz Sérgio Moro de tais comportamentos ao mesmo tempo em que se calam com declarações muito mais preocupantes e perigosas, condutas estas que citaremos algumas.

 

Governo Petista x Imprensa “golpista”

Na campanha presidencial de 2014, na cidade de Itaquera, Lula fez uma ameaça a integrantes da imprensa: “Daqui para frente é a Miriam Leitão falando mal da Dilma na televisão, e a gente falando bem dela (Dilma) na periferia. É o (William) Bonner falando mal dela no “Jornal Nacional”, e a gente falando bem dela em casa. Agora somos nós contra eles“. Não sabemos ao certo que tipo de “contra ataque” o ex presidente tinha em mente, tendo em vista que as pessoas citadas foram criticadas pelo seu legítimo exercício profissional e que o meio em que Lula atua é o político, mas fica claro a existência de motivos para se preocupar com a frase saída da boca de uma pessoa que comandou o país.

 

Guerra nas ruas, e armas nas mãos!

Em 2015, numa solenidade no Palácio do Planalto, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas declarou para mais de mil pessoas presentes: “Recado para os golpistas: nós somos trabalhadores, trabalhamos pela democracia. O que se vende é a intolerância, o preconceito de classe contra nós. Somos defensores da unidade nacional. Isso implica ir para as ruas entrincheirados, de armas na mão, se deitar [na rua] e lutar, se tentarem tirar a presidente”. Posteriormente Vagner Freitas disse que foi mal interpretado e que as “armas” a que se mencionou eram greves, passeatas, etc.

Veja o vídeo:

 

Exercito Partidário/Pessoal

Em um evento com o tema de defesa da Petrobras, Lula fez um discurso finalizando com a frase motivacional “Eu quero paz e democracia, mas se eles não querem, nós sabemos brigar também. Sobretudo quando o João Pedro Stédile colocar o exército dele do nosso lado“. A frase arrancou aplausos e gritos de guerra dos participantes, atiçando ainda mais o clima “beligerante” ainda embrionário na época. Para algumas autoridades a fala do ex presidente pode ter sido para gerar medo de um possível confronto nas ruas, inibindo participações nas manifestações contrárias ao PT. Confira o trecho:

 


Batendo nos Coxinhas

Todo o discurso de tolerância e vitimismo feito pelo PT pôde ser questionado, entre outras oportunidades, por uma das gravações autorizadas pela justiça, onde Lula fala que nas manifestações do dia 13 de março deste ano os “coxinhas” apanhariam dos “peões” caso ousassem aparecer na frente do seu prédio. Em nenhum momento o ex presidente, possível futuro Ministro da Casa Civil, demonstrou qualquer preocupação com esta possibilidade do confronto, pelo contrário, disse que se manteria escondido enquanto houvesse um possível conflito. Confira:

 

“Vamos invadir sua praia”

Um escândalo sem precedentes aconteceu no Palácio do Planalto em mais um “comício” realizado pela Presidente Dilma em prol de apoio contra o impeachment. O líder da CONTAG – Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, Aristides Santos, ameaçou invadir gabinetes, casa e fazendas de integrantes do Congresso Nacional que votassem pelo impeachment. Justificou que os atos em protesto na frente da casa do Ministro do STF, Teori, foram para “incomodar” e assim eles também “incomodariam” os congressistas. Confira:

Dilma não ouviu?

Além de incitação a violência, dentro do Palácio do Planalto, promovido pelo secretário da CONTAG, o fato mais escandaloso foi ver a Presidente Dilma, presente no ato, ficar de pé após o discurso de Aristides e cumprimentá-lo com um abraço caloroso e tapinhas nas costas, dando anuência a sua fala. Logo em seguida tomou a palavra e acusou eles (os que apoiam o impeachment) de promoverem a violência, como se seu antecessor no discurso tivesse promovido a paz. O jornalista William Waack faz um questionamento pertinente ao reportar o ocorrido, assista aqui.

 

Ministro que não sabe de nada!

O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, apesar de reconhecer a “guerra” em que a sociedade está atualmente, parece não estar a par dos últimos discursos de integrantes do governo. Ao ser questionado sobre a responsabilidade do governo e seus apoiadores pelo clima existente nas ruas e redes sociais, ele disse que não iria “personificar” os responsáveis pela polarização, mas ressaltou que, “independentemente do que foi feito até agora, é fundamental que se crie o ambiente de diálogo para evitar que algo aconteça”. Com tal comportamento o Ministro tenta apagar a responsabilidade das pessoas mencionadas acima, dentre outras não citadas, como se não fosse necessário uma mudança de comportamento do próprio governo e seus integrantes.

 

Acho de uma irresponsabilidade extrema pessoas como o ex presidente Lula e a atual proferirem discursos de incitações veladas ao ódio e violência. Não importa se “do outro lado” fazem o mesmo, eles são pessoas de alto índice de influência pelos cargos que ocupam/ocuparam e pelo reconhecimento social que alcançaram. É de um espanto perceber que ao se calar diante de declarações perigosas de seus companheiros a Presidente Dilma acaba por se tornar cúmplice deles. Tanto nas declarações do Ministro Edinho Silva, quanto na ausência de advertência por parte de Dilma no discurso após a conclamação de invasão feita por Aristides da Contag, fica claro que a estratégia é, mesmo que de forma escancarada, tentar colar nos opositores (partidos políticos e sociedade) a imagem de agressivos e violentos, ao mesmo tempo em que se cobrem com o suposto manto da tolerância.


O resultado são militantes achando estar em uma guerra justificável em prol da democracia, onde TODAS as formas de combate são válidas mediante o suposto bem a ser defendido. Como se comprova no vídeo abaixo, uma militante diz que pegará seus filhos, irá para a rua e se for preciso vai para a luta armada. Esse vídeo serve apenas como exemplo dos vários que se pode encontrar na internet:

 

Cabe a sociedade com senso crítico livre, independente de que corrente partidária ideológica que participe, manter a paz social nas ruas e nas relações pessoais. Não é raro encontrarmos exemplos de conhecidos que “perderam” o vinculo sadio familiar ou de amizade com outra pessoa por conta da situação política atual. O bom senso é sempre bem vindo, principalmente em momentos de crise, cabendo a nós ponderarmos os limites da nossa atuação e comportamento. Espero que as paixões partidárias e ideológicas não nos ceguem ao ponto de acharmos que a pessoa que tem um discurso contrário seja menos importante que um determinado governo ou governante, pois se assim continuar não estaremos muito distantes do extinto nazismo, a exemplo dos governos populistas ainda existentes na América do Sul.

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