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O que o “MST” me ensinou hoje

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Hoje (30/04/2016) alguns grupos que buscam a reforma agrária acamparam no Corredor Vera Arruda. Por ser tão próximo da minha residência resolvi ir até lá para ver de perto a realidade dessas pessoas.

 

Não é segredo para ninguém que lê meus artigos ou minhas postagens nas redes sociais que sou um opositor a este modelo de governo que temos hoje e que o MST é um de seus grandes apoiadores. Tenho minhas críticas específicas a este movimento, mas como aprendi dos meus pais e avós, não é por ser contra uma forma de pensar que vou me fechar na minha forma de pensar, é através do contato com o contraditório que amadurecemos, abrimos a mente e crescemos, se preciso até mudando.

 

Essas pessoas estão, até o momento, há 6 dias de CAMINHADA. Se reuniram na cidade de União dos Palmares e vieram ANDANDO até Maceió. No meio tem idosos e crianças, mulheres e homens, todos juntos com um só objetivo. Alguns até já conseguiram seu pedaço de terra, mas continuam na marcha para ajudar aos demais companheiros que ainda estão sem. 

 

Nessa breve visita que fiz conheci algumas pessoas como a Dona Socorro e o Seu Manuel (ambos aí na foto). Dona Socorro foi minha guia, me apresentando a vários grupos que compõe essa marcha, sempre simpática e bastante animada, me explicou a função de cada grupo e cada pessoa dentro dos grupos, fui até convidado para jantar com eles. 

 

No final chegarmos ao Seu Manuel, um senhor que teve a perna amputada há dois anos atrás por conta de uma doença, mas não parou de trabalhar na roça. Cultiva seu plantio (macaxeira, banana, coco, milho, etc) e de 15 em 15 dias, nas sextas-feiras, no bairro do Canaã, monta sua banquinha para vender seus produtos na feira. Ele mesmo planta, trata a terra e colhe, assim mesmo, de moleta. Ouvir esse senhor falar sobre suas caminhadas junto ao movimento e seu prazer em trabalhar me fez questionar muita coisa na minha vida, principalmente quando chego em casa “cansado” por trabalhar no ar-condicionado ao invés de debaixo do sol quente, andando de carro ao invés de condução pública e com caneta e papel ao invés de enxada e terra. As vezes penso que sou grato a Deus por tudo que Ele me proporciona, aí me deparo com exemplos de vida como esses dois e vejo que tenho muito a aprender, agradecer e retribuir.

 

Conhecendo Dona Socorro (de Coruripe) e Seu Manuel (de Joaquim Gomes) pude ter contato com o outro lado desse movimento, o lado do povo que tem esperança de conseguir sua terra, povo trabalhador, simples e humilde, que mesmo sem muitos recursos dividem o pouco que tem com quem precisa, ou até com quem não precisa (eu), pelo simples fato de serem generosos.

 

Comecei esse breve depoimento falando do que aprendi com meus pais e avós e assim também termino. Eles me mostraram, desde pequeno, a respeitar quem menos tem, a ouvir suas histórias, considerar suas dores e quando pudesse ajudar em suas necessidades. Meus avós nasceram em condições humildes, mas através de muito trabalho conseguiram dar uma boa crianção para os meus pais, que hoje me passam essas histórias e lições de vida, me servindo de exemplos em que eu me espelho para depois poder servir aos meus filhos.

 

Não é pelo fato de eu não concordar com muitas questões e atos das lideranças destes movimentos que não posso aprender com eles, com o povo, com sua humildade. Tive uma tarde engrandecedora, com pessoas grandes, pessoas simples e sinceras. Claro que em todo grupo há quem não tenha a mesma conduta, mas cabe a nós sabermos com quem nos relacionar, e escolhi ótimos exemplos de vida com quem aprender um pouco mais nesta tarde.

 

Que todos nós tenhamos tolerância e que o debate se detenha ao campo das ideias. Finalizo com uma frase que muito me guia: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.” – Voltaire

 

E eles terminam a noite com um forró pé de serra aqui, com muito charque, cuscuz e macaxeira, além daquela conversa de gente que tem a grandeza da simplicidade e humildade no coração. Coisa que só quem é do interior dessa Alagoas vai entender o que estou falando!

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