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A origem do passaporte e qual a diferença para um cachorro quente

2015-07-09_1436478064Um dos lanches (as vezes até refeição) mais presentes na vida de qualquer alagoano é o famoso Passaporte. Encontrado desde humildes carrinhos de mão nas esquinas das ruas ou em estabelecimentos mais estruturados, com grandes investimentos. O certo é que é um lanche democrático, querido por todos, independente da classe social ou sexo.

 

Mas por ser tão comum no nosso cardápio, muitos alagoanos não sabem que o “passaporte” nasceu aqui em Alagoas, isso mesmo, é um lanche tipicamente alagoano. Mas qual a diferença de um “passaporte” para um “cachorro quente”?

 

Muitos alegam, as vezes com a maior propriedade do mundo, que a diferença é que o cachorro quente é apenas pão, salsicha ketchup e maionese, enquanto o passaporte vem com isso tudo mais a carne moída e o tomate picado. Pode até ser lá nos Estados Unidos, onde o “hot dog” (tradução literal: cachorro quente) é muito apreciado, mas aqui no Brasil o nosso cachorro quente já vinha com carne moída e algumas variações de lugar para lugar. Uns colocam milho verde, outros batata palha e por aí vai.

 

A verdade é que a diferença não é essa, e nós contaremos aqui para vocês: Não há diferença entre um passaporte e um cachorro quente. Isso mesmo! Tanto um quanto o outro são compostos pelos “mesmos” ingredientes básicos, variando um pouco. O fato é que para algumas pessoas de fora de Alagoas não existe passaporte, somente o cachorro quente, sem carne moída, e quando pensam em cachorro quente em Alagoas imaginam logo o cachorro quente com carne moída.

 

A base do passaporte (cachorro quente alagoano) é o pão seda, salsicha, carne moída, tomate verde picado, maionese e ketchup, mas vai variar de região para região do Brasil. Em São Paulo, por exemplo, é muito comum termos cachorro quente com purê de batata, o que para alguns de Alagoas é algo inimaginável.

 

cris - CópiaMas então, se cachorro quente e passaporte são a mesma coisa aqui em Alagoas, de onde veio o termo passaporte? É aí que essa história ganha um personagem, o Sr. Milton.

 

O Sr. Milton era um gaúcho salsicheiro, que por meados dos anos 70 veio com a família para Alagoas. Chegando aqui fez sociedade com uma outra pessoa e abriram um trailer (hoje conhecido como “food truck”) na parte alta da cidade. Com o tempo a sociedade entre os dois não deu certo, e ao se deparar com a possibilidade de ter que voltar para o Sul do país teve que abrir ele mesmo seu próprio negócio, pois só com um trabalho poderia se manter aqui em Alagoas.

 

Mas qual o nome para dar a este estabelecimento? Então ele pensou que este negócio seria o seu PASSAPORTE para permanecer em terras alagoanas e ao mesmo tempo um lugar onde as pessoas passariam para fazer um lanche rápido, e foi assim, em 1973, que surgiu o famoso e tradicional PASSAPORTE GAÚCHO, pois este famoso lanche e suas maioneses permitiram que o Sr. Milton e sua família fincassem estadia em Maceió, na praça centenário, onde começou com um “carrinho” e até hoje, mais de 40 anos depois, permanecem com um local próprio.

 

 

A partir daí o sucesso foi apenas questão de tempo e com o passar dos anos foram surgindo vários “exemplares” de passaportes, por todo o Estado e até fora dele.

 

O Sr. Milton faleceu em abril deste ano e fizemos um artigo em memória a ele, que você pode conferir aqui. Apesar da partida do criador do Passaporte, sua família se dedica ao lanche que faz parte da história de tantas pessoas, tendo gerações de clientes, sendo avós, pais e filhos que frequentam o local.

 

Agradecemos ao Sr. Milton e a toda a família Braun por terem vindo de tão longe e terem escolhido Alagoas, nos dando um item tão querido da nossa gastronomia popular, o passaporte!

 

Graças ao Sr. Milton Braun hoje temos passaporte não só de carne moída, mas de frango, charque, camarão e vários outros ingredientes, inclusive até misturados (carne moída e frango, por exemplo).

 

No início do mês de agosto lançaremos a série “Passaportes”, onde divulgaremos e avaliaremos vários passaportes, inclusive o do Sr. Milton.

Confira aqui uma reportagem da TVE sobre essa iguaria Alagoana e uma entrevista que o senhor Milton Braun deu há alguns anos atrás:

 

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